Revista da Província Marista do Rio Grande do Sul – Porto Alegre – RS
Ano 10 – número 36 – Primeiro semestre de 2010
Espiritualidade
Formação para a vida e tempo para o espírito

O Vidamar, projeto de formação da Rede Marista, tem sido um divisor de águas para as centenas de pessoas que aceitam o convite para dedicar seu tempo à reflexão e ao discernimento sobre o sentido da própria existência.

O Instituto Marista, a partir das reflexões feitas nos últimos Capítulos Gerais e Provinciais, vem percebendo que novas formas vocacionais leigas estão se abrindo no mundo marista. Muitas pessoas manifestam interesse não apenas em conhecer a história, o carisma, mas em viver plenamente a Espiritualidade Apostólica Marista. 

A realidade das obras maristas mostra que a presença dos Leigos acontece em número muito significativo, o que demanda uma série de ações no campo da formação. No Quadriênio 2006-2009, o Governo Provincial decidiu investir na formação não só dos colaboradores novos, mas especialmente num projeto voltado para o aspecto Vocacional Marista para Leigos e Leigas.  
Uma das respostas ao desafio vocacional e formativo é o Vidamar, projeto reconhecido com o ouro na categoria Público Interno no Prêmio Sinepe de Responsabilidade Social 2009.  Trata-se de uma iniciativa que transcende a necessidade de se oportunizar um simples encontro ou jornada. O Projeto traz consigo a concepção de oferecer, aos que assim desejarem, estudo, aprofundamento, oração e vivência do carisma como instrumento para o seu discernimento vocacional. 

A proposta está estruturada em três etapas, de forma a criar espaços de tempo entre uma e outra, fortalecendo a vida cristã e possibilitando respostas criativas às necessidades atuais.  O Vidamar é uma oportunidade única, em que o participante vivencia experiências que o leva a uma transformação no modo ser e agir frente às realidades. A tônica é a vivência. 

São diversos momentos oportunizados como os de silêncio, escuta, estudo, reflexão, discernimento, lazer e confraternização. Durante todo tempo em que os participantes estão juntos, fazem-se presentes as características do ser marista: presença amiga, espírito de família, simplicidade e acolhida, humildade e modéstia.

O período de realização do Vidamar é de seis dias, em cada etapa, estimulando para que o participante valorize e qualifique o tempo oferecido sem perder o foco na realidade. Este número de dias foi pensado para não afastar demasiadamente as pessoas de seus compromissos, mas também que não fosse tão reduzido a ponto de comprometer a qualidade e intensidade da experiência.

As edições do Vidamar estão planejadas para a participação de, no mínimo, 25 e, no máximo, 55 pessoas, descontando os membros da equipe de organização e de execução. Os destinatários são colaboradores da Instituição que participam ou demonstram maior interesse no Carisma Marista. 

O perfil dos convidados é bem definido. São pessoas que sabem lidar com situações inesperadas, que têm abertura e disponibilidade para compreender a essência da Missão Marista e o quanto é importante assumir a condição de liderança dentro da comunidade, dando testemunho consciente e transformador. São pessoas identificadas com os princípios cristãos e abertas ao convívio e partilha em grupo. 

A primeira edição do Vidamar I ocorreu na semana de 24 a 29 de setembro de 2007. Desde então, foram sete as edições, tendo a última ocorrido em junho de 2009. Cerca de 300 pessoas já participaram. O sucesso alcançado pelo Projeto, na Etapa I, garantiu a continuidade, sendo que a primeira edição da Etapa II ocorreu em outubro de 2009. 

O coordenador operacional do Vidamar, Edison de Oliveira, explica que as três etapas possuem três eixos fixos - antropológico, cristão e marista. Ele também destaca a avaliação que os participantes têm feito do projeto. “O índice de aceitação varia entre 75% a 97% como ótimo e de 3% a 25% como bom, o que mostra que o Projeto veio para ficar. As Direções das unidades têm manifestado a plena satisfação em receber os vidamaristas, que voltam das edições com outro olhar e com muita vontade de fazer do Jeito Marista o seu Jeito de Ser”, conclui.

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