Revista da Província Marista do Rio Grande do Sul – Porto Alegre – RS
Ano 10 – número 36 – Primeiro semestre de 2010
Solidariedade
Robótica Livre abre caminho para jovens

Educandos que vivem em situação de vulnerabilidade social aprendem a criar robôs e autômatos educacionais

Aliar educação com tecnologia é uma das buscas constantes da Rede Marista de Educação e Solidariedade do Rio Grande do Sul. Nos Centros Sociais Maristas, é cada vez maior o espaço que a Robótica Livre vem assumindo. 

As peças de computadores descartadas e diversas sucatas dão forma a robôs e outras invenções, estimulando os processos de pensamento, imaginação, intuição, autonomia, flexibilidade e originalidade dos educandos. Além disso, a robótica livre ajuda no convívio em grupo que resulta em princípios relacionados ao respeito mútuo, liderança e busca de soluções alternativas.

O Centro Social Marista Cesmar oferece o curso de Robótica Livre desde setembro de 2008 para jovens de 14 a 24 anos da comunidade do bairro Mário Quintana. Os educandos têm noções de programação em eletrônica básica, montagem e controle de microcontroladores e parte elétrica e mecânica. O objetivo é oportunizar o estudo de um mercado segmentado e qualificado com acompanhamento de um profissional.

Com a parceria da Secretaria Municipal da Juventude (SMJ), o curso tem duração de três meses. Os jovens já participaram de vários eventos, entre eles o Fórum Internacional do Software Livre (Fisl) e palestras na Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) e no Colégio La Salle. Em março de 2009, cerca de cem jovens se formaram na primeira turma do curso.

O educador do curso, Junior Meneghetti conheceu o trabalho realizado no Cesmar através de um amigo. Meneghetti soube que o projeto havia sido aprovado e como estava concluindo o Curso de Eletrônica, se candidatou à vaga. “É importante que os educandos tenham essa oportunidade de conhecer e trabalhar com a robótica livre, já que muitos não têm condições financeiras para pagar cursos particulares, além de essa aprendizagem fazer a diferença na hora de procurar um trabalho”, destaca.

Assim como no CRC Cesmar, o curso de Robótica Livre do Centro Marista de Inclusão Digital (CMID), em Santa Maria, trabalha conhecimentos básicos de eletrônica, informática, mecânica e a filosofia da robótica livre. O curso tem duração de um ano e participam jovens da comunidade Nova Santa Marta, onde o CMID está inserido, de 13 a 17 anos.

Os educandos aprendem a montar artefatos robóticos e reutilizar a robótica sem prejudicar o meio ambiente. “É uma oportunidade de aprendizado que irá ajudar a pessoa no ingresso ao mercado de trabalho”, pondera o instrutor de informática Eloir José Rockenbach.

Desde março de 2008, quando o curso teve início, aproximadamente 140 jovens já passaram pelo CMID – entre formandos e não formandos. Além da participação no Fisl, os educandos também estiveram presentes na Conferência Latino Americana de Software Livre (Latinoware), e em outros eventos de diferentes cidades do Estado.

Em outubro de 2008, o Centro Social Marista Irmão Getúlio (Cemaige), de Vacaria, foi um dos contemplados pelo projeto Bloco a bloco o Brasil que queremos do Grupo LEGO. Dois colaboradores do Centro participaram em São Paulo do Curso de Robótica LEGO, cuja finalidade foi capacitar os educadores.

Neste ano, o Cemaige iniciou as atividades de Robótica LEGO para uma turma de 12 educandos, com idade entre 14 e 16 anos. Os educandos deverão pensar e construir algum espaço da cidade que necessita ser modificado, como um posto de saúde no bairro, uma escola, etc. O encontro entre todas as instituições participantes para a apresentação dos trabalhos ocorre no final do ano, em São Paulo.

Robótica marista no 10   Fisl
Mais uma vez a Rede Marista se fez presente na décima edição do Fórum Internacional de Software Livre (Fisl), que ocorreu na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). No estande marista, agendas, bijuterias, enfeites e aquários feitos com peças de computadores descartados puderam ser encontrados. Os educandos do Centro Marista de Inclusão Digital (CMID), de Santa Maria, vieram ao evento e divulgaram o seu trabalho. 

Os computadores recondicionados ganharam uma nova cor, e muitos outros foram recuperados a partir de máquinas caça-níqueis. Os jovens trouxeram, também, alguns robôs desenvolvidos na Oficina de Robótica Livre. O Robô Tux, por exemplo, foi feito com uma parte de um aspirador de pó, e o motor utilizado é o do sistema do limpador de para-brisas dos carros. Além de andar, ele fala, filma e mexe a cabeça.

Já o CRC Cesmar foi o responsável por um telecentro de cinco computadores conectados à Internet, uma mostra de quadros de grafite artesanal, um barco e um display eletrônico. No dia 25/6, um dos educadores do CRC e gerente administrativo do Laboratório Especializado em Eletroeletrônica da PUCRS (LABELO), Carlson J. Aquistapasse realizou uma palestra com o tema Lixo Eletrônico e recondicionamento de computadores. O coordenador do CRC Cesmar, Luiz Osório Waldow, também participou do momento e expôs a experiência do CRC no recondicionamento e reciclagem de computadores.

O estande marista também contou com projetos de escolas, como os realizados pelo Colégio Marista Assunção, de Porto Alegre,. Os alunos desenvolveram a robô Penelo-py, uma adolescente apaixonada por tecnologia e que de tanto usar o computador, transformou-se na robô. A invenção alerta crianças, jovens e suas famílias sobre o uso consciente da Internet e chamou a atenção do Presidente Lula que visitou o estande.

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Diretrizes orientam a ação social marista

Toda e qualquer opção feita em uma organização educativa resulta de uma decisão vinculada a algum Projeto Político-Pedagógico (PPP), esteja ele formalizado em texto ou sendo vivido no cotidiano dessas entidades. Pode ampliar suas relações, na medida em que explicita e consolida suas ambições, seus objetivos, assim como o conjunto das atividades pedagógicas programadas.

O PPP prevê a participação efetiva de todos os membros de uma comunidade educativa, propiciando, dessa forma, a vivência democrática e o exercício da cidadania. Na Rede Marista de Solidariedade, os 28 Centros Sociais contam com o auxílio da Comissão de Assistência Social (Coas) na elaboração do PPP, bem como da equipe diretiva de cada Centro Social Marista (Cesmar) e seus colaboradores (atendidos, educadores, funcionários e comunidade em geral) que, igualmente, exercem um papel fundamental na construção e implementação do PPP.
Há alguns anos, vários Centros Sociais pautam sua dinâmica a partir do seu próprio PPP, construído por sua iniciativa. O texto em processo de elaboração, coordenado pela Coas, visa propor parâmetros comuns aos Cesmars, voltados à operacionalização dos pilares da pedagogia do fundador do Instituto dos Irmãos Maristas, São Marcelino Champagnat, inseridos no contexto do século XXI, expressando o carisma e o jeito marista de ser.

Para a assessora de Planejamento Estratégico da Coas e responsável pela elaboração do novo PPP, Julieta Beatriz Ramos Desaulniers, o maior desafio em organizar esse documento é mobilizar todos os agentes sociais que integram a comunidade educativa. “O grau desse envolvimento repercute no sentimento de pertença em relação à organização educativa e ao seu desempenho”, destaca.

No mês de julho, cerca de 30 representantes dos Centros Sociais, entre Irmãos, coordenadores e educadores, estiveram reunidos no Colégio Marista Rosário na 1ª Jornada Construindo o Projeto Político-Pedagógico (PPP). Na ocasião, o coordenador da Coas, Irmão Miguel Antônio Orlandi, destacou a importância do PPP, pois ao definir estratégias voltadas ao aprimoramento de cada Centro Social, tende a fortalecer suas relações com a sua própria comunidade e, consequentemente, com o contexto social mais amplo em que está inserido.

O grupo que participou do evento sugeriu ideias para o PPP. Segundo Julieta, as sugestões estavam relacionadas ao conjunto de atividades que vem sendo desenvolvidas com o objetivo de possibilitar aos colaboradores de cada Centro Social o resgate de sua trajetória, desde a criação e, ao mesmo tempo, colher dados para uma das etapas da construção do PPP – o diagnóstico.
O Projeto Político-Pedagógico, decisivo à gestão de qualquer organização educativa, “é uma excelente ferramenta que pode prestar serviços inestimáveis ao fortalecimento da autonomia e da autossustentabilidade de nossos Centros Sociais Maristas”, conclui Julieta.

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Transformação social com arte e esporte

Vindos de várias cidades do Rio Grande do Sul, crianças e jovens atendidas pelos Centros Sociais Maristas participaram da sétima edição dos Jogos Sociais e da primeira Mostra Artístico-Cultural, eventos que aconteceram nos dias 20 e 21 de novembro, no Centro Social Marista Cesmar, em Porto Alegre.

O primeiro dia foi dedicado à Mostra Artístico-Cultural, que reuniu cerca de 800 pessoas. Na abertura, o Centro Social Marista Mário Quintana, de Gravataí, subiu ao palco para apresentar a Trajetória da educação no mundo dos surdos, por meio de estátuas vivas que revelaram a história da educação do surdo da Antiguidade à Contemporaneidade. Após, o Projeto Guri-Guria, do Centro Social Marista Marcelino Champagnat, de Passo Fundo, fez uma apresentação de percussão. 

O coordenador da Comissão de Assistência Social (Coas) da Rede Marista, Ir. Miguel Orlandi, destacou a importância da Mostra Artístico-Cultural, especialmente pela parceria com a Comissão de Educação (Coeduc). “Tanto a parceria com as escolas quanto com os Jogos Sociais demonstra a realização do sonho de São Marcelino Champagnat, que é a construção da educação”, afirmou. Estiveram presentes, ainda, o diretor do Cesmar, Ir. João Zimmermann, a presidente da Comissão de Educação e Cultura, deputada Maria do Rosário, coordenadores de Centros Sociais, educadores e educandos.

Divididos por espaços, os grupos de educandos apresentaram-se durante toda a tarde. “A Mostra foi um exemplo de solidariedade, empenho, esforço e integração. A parceria com os Jogos Sociais mostra que é possível realizar um evento deste porte. São duas áreas – esporte e arte – que transformam socialmente”, frisou a coordenadora da Mostra, Lisandra Batista Félix.  No final do dia, todos participaram de uma confraternização com o Grupo Musical Marista (GMM).

Esporte como integração

No segundo dia, mais educandos chegaram para os Jogos Sociais, o maior evento esportivo da Rede Marista de Solidariedade, que promove jogos de futebol masculino e feminino. Conforme a comissão organizadora, mais de 1.600 crianças e jovens estiveram no Cesmar, para participar ou assistir aos jogos. Pela manhã, houve a abertura dos Jogos, com o desfile das delegações e a presença de autoridades. 

Nos campos de futebol, o clima era de integração entre as equipes. “Aqui, eles têm a chance de aprender, aceitar-se como são e respeitar o outro. O esporte ajuda no crescimento e no controle dos sentimentos”, ponderou a educadora do Centro Social Marista Santa Isabel (Cemasi), Simone Aguiar, responsável por orientar um dos times femininos. A mesma opinião é compartilhada pelo educador Gustavo Curtinaz, membros da comissão organizadora dos Jogos Sociais. “Houve a participação e a integração de todos. Com a parceria da Mostra, o esporte valorizou a arte e vice-versa”.

Além dos jogos e das apresentações da Mostra, os educandos navegaram na Internet com o Ônibus Inclusão Digital Marista e divertiram-se com o Ônibus Brincalhão, uma brinquedoteca itinerante da Secretaria Municipal de Esportes, Recreação e Lazer (SME). Foi possível, ainda, visitar uma exposição de artesanato com os trabalhos desenvolvidos pelos Centros Sociais e Colégios.

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