Revista da Província Marista do Rio Grande do Sul – Porto Alegre – RS
Ano 10 – número 36 – Primeiro semestre de 2010
Ficou na História
Um Estado, três Províncias

A Província Marista do Rio Grande do Sul, criada em 2002 através da unificação das Províncias de Porto Alegre e Santa Maria, é fruto de uma história prestes a completar 110 anos. Nesse período, chegaram a existir, simultaneamente, três províncias no Estado.  

A origem da presença marista no sul do Brasil remonta ao ano de 1897, quando o Bispo de Porto Alegre, Dom Claudio José Ponce de Leão, foi à França solicitar ao Superior-Geral do Instituto Marista, Ir. Teofânio Durand, Irmãos missionários para auxiliarem na evangelização e educação nas colônias alemãs do Estado. Na época, a Diocese de Porto Alegre abrangia todo o território gaúcho, que sofria as sequelas da Revolução Federalista.

O pedido foi atendido e, três anos depois, chegaram os primeiros Irmãos a Bom Princípio. Cerca de 20 dias após a instalação no povoado alemão, Ir. Weibert já visitava Garibaldi, localidade que também solicitava Irmãos. Por não haver Irmãos que falassem italiano, o pedido só foi atendido em 1904. Contudo, esse episódio demonstra quão rápida seria a expansão marista no sul do Brasil. Um dado curioso é que, nessa fase inicial, os Maristas assumiam a direção e a docência em escolas dos Jesuítas, como ocorreu em Porto Alegre, no Colégio Anchieta, onde os Irmãos atuaram nas primeiras décadas do século XX.  

Nos primeiros anos, a administração dos Irmãos na região era chamada de Distrito do Sagrado Coração, vinculado à Província de Beaucamps (França). Em 1908, com autorização da Santa Sé, foi criada a Província do Brasil Meridional, abrangendo todo o Estado e mais tarde com expansão para Santa Catarina e Paraná.  

Em 1925, jubileu de prata da presença marista no sul do Brasil, os 166 Irmãos atuavam em 15 localidades (Bom Princípio, São Leopoldo, Porto Alegre, Santa Cruz, Santa Maria, Garibaldi, Uruguaiana, Livramento, Pelotas, Rio Grande, Lajeado, Alfredo Chaves, Hamburgo Velho, Antônio Prado e Cacequi), atendendo cerca de 3,5 mil alunos.

Divisão e Unificação

Em 1951, o crescimento da Província era considerável. Três Estados com quase 50 comunidades, 568 formandos, 516 religiosos maristas e 18 mil alunos em 37 escolas. Não era mais possível um único provincial acompanhar tantas demandas. Dividir a Província foi uma decisão necessária.

Surgiu, então, a Província de Santa Catarina, com sede em Passo Fundo e abrangendo as dioceses de Passo Fundo, Santa Maria, Uruguaiana, as dioceses do Estado catarinense e o Internato Paranaense em Curitiba. Permaneceu a Província do Brasil Meridional com sede em Porto Alegre e presença nas dioceses de Caxias do Sul, Vacaria, Pelotas e as missões em Angola e Moçambique. 

No início dos anos 60, começou-se a pensar numa nova divisão. A Província do Brasil Meridional contava com mais de 500 Irmãos formandos e 380 com votos perpétuos, atendendo cerca de 15 mil alunos.  Em 1963, houve a divisão e foram criadas as Províncias de Porto Alegre, com sede na capital, e Caxias do Sul. Couberam à administração de Caxias as regiões abrangidas por aquela Diocese, bem como de Vacaria e o Estado do Mato Grosso, sendo a sede em Caxias. O primeiro provincial foi Ir. Jaime Biazus.  

Em 1964, pelas mesmas razões que geraram a divisão da Província do Brasil Meridional, a Província de Santa Catarina foi desmembrada em duas: Santa Catarina, com sede em Jaraguá do Sul/SC e Província de Santa Maria, com sede na cidade de mesmo nome. O trabalho missionário no Estado do Acre ficou a cargo de Santa Maria. 

No Capítulo Geral de 1976 iniciaram-se as tratativas para uma possível reunificação de Caxias do Sul à Porto Alegre. O Instituto, de modo geral, buscava redimensionar as administrações das Províncias menores. A partir de uma sondagem entre os Irmãos, verificou-se, em 1979, que 90% era favorável à reunificação.  Ir. Arlindo Corrent, em 1981, assumiu a Província unificada de Porto Alegre. 

O ano de 2002 marca a criação da Província Marista do Rio Grande do Sul. Desde 1993 o Governo-Geral do Instituto já vinha orientando a reestruturação das Províncias em todos os continentes.  Cem anos depois da chegada dos primeiros maristas, as duas unidades administrativas gaúchas possuíam cerca de 220 Irmãos. “Reestruturar-se para impulsionar a vida” era o lema da época.

A nova Província nasceu no dia 21 de julho, reunindo 47 mil alunos sob os cuidados de dois mil professores e mais de três mil colaboradores distribuídos em 21 colégios, 15 obras sociais, uma universidade e cerca de 20 centros educacionais, supletivos e creches no Rio Grande do Sul, Amazônia e Brasília. Ir. Roque Salet foi o primeiro provincial. Na época, declarou: “A finalidade da reestruturação é gerar mais vitalidade, Irmãos e Leigos caminhando juntos, partilhando vida, espiritualidade, missão e formação”. 

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