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A voz da juventude![]()
O fechamento não poderia ser mais significativo. Após três dias de reflexões profundas sobre a missão de educar, era hora de ouvir o outro protagonista do desafiador e imprescindível processo de ensino-aprendizagem: os educandos. Na manhã do dia 18/7, sexta-feira, bem antes dos congressistas chegarem eles já estavam no auditório principal do Centro de Eventos da PUCRS preparando a voz, ensaiando as últimas falas e o posicionamento no palco. A apresentação dos educandos foi uma mescla de linguagens. Texto verbal, músicas, encenações, diálogo com a platéia, que não conteve a emoção ao ver e sentir o posicionamento dos jovens frente à educação, à escola, aos professores e à sociedade. “O que nós, jovens, pensamos? O que queremos? O que fazemos ? E o que deve ser feito?”. Foram esses os questionamentos que guiaram seus trabalhos durante os dias que estiveram em Porto Alegre. Paralelamente, eles mobilizavam outros estudantes através da internet. Com o blog Faça a Diferença. Você tem voz? Use-a!, que também já tem uma comunidade no orkut com mais de 600 membros, os educandos convidam todos refletir sobre temas da atualidade que foram discutidos no 1º Congresso Nacional de Educandos Maristas.
A resposta a essas indagações culminou com a Carta Aberta à Comunidade Educativa, lida pelos jovens durante a apresentação. Nela, os educandos falam das responsabilidades de si, dos educadores, do que consideram certo e errado e da crença de que, para mudar, é preciso a união de ambos, professores e alunos juntos “por uma sociedade mais justa e uma escola mais ativa”.
Sobre si, foram sinceros e auto-críticos. Nos slides apresentados que contaram sua trajetória desde os dias de pré-congresso, a trilha na voz de Nando Reis, com a música “Por onde andei” , foi reveladora: “Desculpe estou um pouco atrasado, mas espero que ainda dê tempo de dizer que andei errado e eu entendo(...)”.
Na carta falam sobre esses "erros" e relatam a visão sobre de si mesmos: “Os alunos, em sua maioria, estão cada vez mais alienados. É evidente que os jovens estão abarrotados por diversas informações, muitas vezes, inúteis, decoradas e que inibem a construção do verdadeiro conhecimento”. Sobre os educadores, reivindicaram atualização e empenho: “Os educadores, também, têm de se adaptar às mudanças sociais do mundo, já que nós, jovens, estamos sempre antenados às novidades, ou seja, usando esses novos artifícios anexados aos seus métodos de ensino”.
Através da linguagem teatral, encenaram os contrastes da realidade e as possibilidades de mudança. A escola da discriminação e a escola ideal. O professor limitado e aquele que tanta inovar. O jovem como um marionete de influências, e aquele protagonista, agente no processo de aprender e na experiência de viver.
Aplaudidos em pé pelos 2.500 educadores que os assistiam, os educandos fecharam com chave de ouro e superaram expectativas. “Emoção e muita lucidez transpareceram fortemente através do testemunho dos inúmeros educandos provenientes das mais diferentes cidades do Brasil. O que poderia ser um documento apenas formal tomou feição de um manifesto amoroso repleto de audácia e ousadia e, o que poderia ser uma participação acanhada refletiu brilho e extremo discernimento com a causa marista. A “Carta de Porto Alegre” é, ao mesmo tempo, um libelo pela causa da educação e um reconhecimento do seu direito de vez e voz nas nossas instituições”, conta a professora de Filosofia do Colégio Marista Rosário, Anna Maria Tortorelli Massignan. A professora do Ensino Fundamental do Colégio Marista de Santo Ângelo, Karina Helena Schlick, espera que a fala dos jovens repercuta em todos os membros da comunidade educativa do Brasil Marista. “A fala dos educandos empolgou. Algumas coisas já sabíamos, mas ouvir deles foi muito importante. O importante é que essas reflexões ecoem e não caiam no esquecimento, que cheguem aos alunos, aos educadores e, também, aos pais.”
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