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Entrevista com Hemes Bernardi Jr.

Uma estranha criatura vive num Planeta regando frases que viram flores e histórias. Mas por não ter memória, a criatura tranca as suas histórias em caixas. Faz sempre assim, até que um dia algo surpreendente lhe acontece.

Assim como no livro de Hermes Bernardi Jr. Planeta Caiqueria, os alunos da 2ª série do EF do Rosário também saborearam uma surpresa em suas vidas. Hoje eles são autores, e no dia de sua sessão de autógrafos, receberam o carinho e o incentivo do autor do livro que os inspirou. Confira a entrevista com Hermes Bernardi Jr. que dedicou seu livro às criaturas que escrevem, e às que lêem, especialmente às que lêem para outras criaturas.


Hermes ao lado de um dos autores estreantes,
em sua sessão de autógrafos 

Vimos em alguns momentos da apresentação que tu estavas emocionado ao ver as crianças no palco. Conte um pouco dessa emoção.

Na verdade a emoção é em ver os desdobramentos que o livro ganhou dentro do projeto, porque quando a gente escreve, nem imagina o mundo de sensações, emoções e experiências que o leitor pode reproduzir. O mais legal é pensar que esse momento foi resultado de um projeto inteiro, que envolveu as crianças em um trabalho que durou todo o ano.

Essas crianças, com apenas sete e oito anos, já estão autografando seus livros em um evento reconhecido internacionalmente. Como tu vês isso?

É maravilhoso, você estar na Feira do Livro de Porto Alegre trazendo tantos alunos e famílias pra esse ambiente, e provando que crianças dessa idade também têm uma produção de qualidade. E que daqui a pouco algumas dessas crianças podem virar escritores, ou não, mas só pelo fato da culminância do projeto ser aqui no maior evento de literatura do Rio Grande do Sul, é bárbaro.

Como são as histórias dos livrinhos lançados hoje?

Eu não acompanhei a turma durante todo o processo, mas achei os textos bacanas e divertidos, com uma cronologia e bem menos confusos do que os textos que somos acostumados a ler de crianças dessa idade. Crianças são crianças, não devemos exigir deles uma maturidade que ainda não tem no processo da escrita, até porque escrever é difícil até para nós, que somos autores. Mas o melhor de tudo foi ver que eles se aproximaram do livro com prazer e alegria, se divertindo em todos os momentos. Eu acho que a Literatura é alegria, satisfação, tem que se divertir no tapete de casa com o pai e a mãe, tem que se divertir na escola, enfim...tem que ser como foi aqui, porque o que eles fizeram foi pura diversão. 

Na tua opinião, como foi a apresentação dos alunos?

O que eles fizeram aqui não era aquela coisa rançosa, de que ler é só adquirir conhecimento...eles dançaram, fizeram uma performance linda, nada forçado ou fora da idade e do pensamento deles. A encenação foi bárbara, foi criança fazendo coisa de criança, assim como o livro teve esse mesmo espírito. 

Na tua opinião, o projeto conseguiu integrar a escola, a família e a literatura em um mesmo propósito?

Sim, acho que a completude do projeto é o principal diferencial. O primeiro momento que tive contato com as crianças foi ao lado de seus pais, em um dia que produzimos uma caixa, que foi entregue uma semana antes da apresentação com o convite, a caneta e uma camiseta do projeto. É um trabalho que envolve todos, fico muito emocionado, tive que conter as lágrimas, porque essa sensação de completude é o mais importante. Porque o meu trabalho é o começo de uma história, o professor, o diretor, o pai, a mãe e a criança é que vão completar meu trabalho e dar sentido pra ele.